Não venha. Do longo tempo de espera meu travesseiro, feito osso e braço por descaso teu, não suportaria outra magoa feita carne.
Vem. Porque não se vive até se lembrar, e já me esqueço, e já me esqueceste, e já não me importo ser esquecido.
Não venha. Partirás, ou partirei, e meu braço, mole por ti, confortável para teu desejo, já não será osso, não poderá trair tanto sua real vocação, e se desmantelará em macia saudade.
Venha, venha mesmo. Mas só peço que me minta nunca ir, e quando fores, porque a vida é real, não anuncie.