sexta-feira, 18 de março de 2011

Peço

Vem. Um desejo cercado por músculos me compele a te chamar. Meus braços de ossos de algodão pedem teu descanso. Já nem lembro quando, mas meus ossos não suportam. Nunca mais travesseiro.

Não venha. Do longo tempo de espera meu travesseiro, feito osso e braço por descaso teu, não suportaria outra magoa feita carne.

Vem. Porque não se vive até se lembrar, e já me esqueço, e já me esqueceste, e já não me importo ser esquecido.

Não venha. Partirás, ou partirei, e meu braço, mole por ti, confortável para teu desejo, já não será osso, não poderá trair tanto sua real vocação, e se desmantelará em macia saudade.

Venha, venha mesmo. Mas só peço que me minta nunca ir, e quando fores, porque a vida é real, não anuncie.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Infinitamente Próximo

E tudo tornado real no instante. Fim claro e palpável. Capitado por lentes biológicas, analisado por processador pulsátil, o fim deve existir além da capacidade animal de perceber.

Tudo terá fim logo, tudo o que começou acabará brevemente, e nem nisso há alívio. A dor em presumir o inevitável, a vivacidade sensorial da fábula contra a realidade magra e vesga.

Em verdade, vos pergunto: Quem de vós já sentiu de verdade. Quem de vós alegrou-se sem pudor? Quem de vós chorou sem nenhuma alegria?

Quem?

Em verdade, e em verdade vos digo. Ninguém.

Quando tudo estiver dependendo do infinitamente próximo, quando tudo depender não mais de tempo, mais de sucessão, onde inevitalmenteinexoravelmenteindubitavelmente tudo depender do próximo acontecimento, depender da piedade do Maestro da Orquestra, perceberão que

FIM