sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Setenta vezes sete

Com a insistência dos vitoriosos, a Vida, essa transgressora e antiga máquina de moer, faz seu ofício. Moe e machuca sempre, com a criatividade de uma criança louca.
Não basta vestir as armaduras de Jorge. Sempre há um feicho mal posto, sempre há uma rachadura invisível, perceptível mesmo só por dentro, e a Máquina de Moer acerta lá.
Não no primeiro dia.
Não no primeiro golpe. Nem no segundo. Nem no terceiro. Nem no quarto.
Mas ela bate sempre
Sempre
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Sempre
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Sempre
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Sempre
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Sempre
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Com a persistência de goteira que drena a água do Mar todo. Este Mar que é infinito, posto que é Água de Maldade. E a armadura que diante de tudo é tão singela.
"Mas grandes são os desertos e tudo é deserto." E "talvez a Vida seja não sonhar", mas, sem dúvida, é moer, e de nós restará o pó. Talvez disso Deus já soubesse.
Dialogar com Vida e se fazer tão pleno e intangível é tolo e cansado. Lutar e não desistir é ilusório. Desistir é conciliador e quente, ancho como colo.
Levantar 70 vezes 7. Isso dói.