quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Suportado
Sono
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Pra ti
Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim!
E depois disso, sentar e rir do teu lado, e voltar de longe por um caminho escuro;
Cada vez mais perto do claro não te poder.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Sobre o passado instantâneo que me foi dado
“Olhar no espelho é ver o passado!” Tudo é passado. Tudo já passou. Mas nem tudo vai passar.
Quarta dimensão física, definidora da impossibilidade da existência de dois corpos no mesmo lugar, o tempo me foi apresentado como passado. Se não vejamos, não sintamos. Nada é mais verdadeiro.
“Que não sou ninguém de ir, em conversa de esquecer, a tristeza de um amor que passou!” Mas já passou. Tudo já passou. Mesmo a pressão das teclas, respondida pelo estimo visual das letras é passado. Quando me beijaste passou. O beijo foi antes. Milésimos infinitesimais de tempo se passaram. Desconfigurando o teu beijo, desconfigurando o meu futuro, desconfigurando o tal catastrófico bater da asa da borboleta por cima de um mar qualquer. Mesmo o gerúndio é mentiroso.
Quando me aproximei, quando bateu indeciso pela ultima vez o coração, passei a mão na tua nuca. Senti mais magra do que presumia. Aproximei-me de ti. Lábios preparados, olhos abertos para a certeza do encontro preciso. Quando fechei os olhos já te beijava, bem antes do encontro dos lábios. Já te beijei antes de sentir. Quando o tato megalomaníaco dos lábios foi sentido, vários centímetros de neurônios já haviam sido percorridos pela tua saliva, e apontaram o retrato preciso do que aconteceu. O presente do teu beijo foi impreciso. O presente é o passado instantâneo. E no futuro te amava, só lá há presente, só nele buscava o teu presente. Como se o perturbado tempo, que me afasta da união atômica de mim e ti, debocha-se de nunca poder ser no presente do indicativo. Tu serás, eu serei. Eu fui, tu foste. O presente cabe ai. Depois daquilo nunca mais te desejarei, já tive. Quando bateu feliz o coração, o apogeu chegará atrasado de presenciar o amor presente.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Frio, Mulher e Poeta
E o frio se fez gente. Como gente, Frio. Pensem nele, figurem-no. Velho, triste, barbudo e torto. Acostumado a fazer dos ossos desespero, e dos músculos mais rígidos real massa vibrante, que nem a vontade mais tesa paralisa.
Mas não. Conheci hoje, num repouso de um hospital, coberto por roupas pouco confortáveis. Veio consulta-se em sonho, havia uma dúvida. Por segundos achei que tratava-se do Amor, e pra ele abri o peito cansado de esperar. Mas não era. Conheci-os gêmeos de mesma mãe Saudade. Jovial, realmente bonito, vestido como eu. Jaleco, barba rala, e uma vontade louca de ser Amor, pois saibam que as vontades nos vestem e travestem.
Viajou por vários recintos ultimamente. Tem fina afinidade por jovens belas, tem a capacidade de torná-las mais charmosas e as adora. Tem ódio dos poetas e não os deixa ser feliz. Faz sentir-se pleno ao menor espaço do calor, calor que não é gente, é condição. O Frio veio me perguntar sobre as Jovens belas e poetas.
—Como?
Não sei, são saberei, e faria de tudo por uma letra da resposta. O que falta para as jovens belas? Qual insatisfação, qual pudor, qual desconforto faz levar algo pleno, admirado por mim, pelo meu interlocutor e sei Irmão, honrar-se podre e triste como um poeta?
—Calma frio.
—Calma?! De tudo o que é pleno, de todas as coisas plenas, logo as mais bela se torna, por graça divina em poucos casos, o mais torpe das espécies, o cansado poeta?
—Calma Frio, senta do meu lado, transmite pra mim todo frio, mas poupa ao uma bela poeta.
—Não
E gritou com bafo estupidamente frio, desprezivelmente real. Foi sonho a fora, me deixou frio, e tenho a impressão que não perdoará nesta noite nenhuma mulher linda poeta.
—Volta. Não as assombre. Elas são lindas e isso é tudo. Tudo é beleza, e como eu deveria apenas Amar. Volta Frio, vol.. Bruuummm..
sexta-feira, 18 de março de 2011
Peço
Não venha. Do longo tempo de espera meu travesseiro, feito osso e braço por descaso teu, não suportaria outra magoa feita carne.
Vem. Porque não se vive até se lembrar, e já me esqueço, e já me esqueceste, e já não me importo ser esquecido.
Não venha. Partirás, ou partirei, e meu braço, mole por ti, confortável para teu desejo, já não será osso, não poderá trair tanto sua real vocação, e se desmantelará em macia saudade.
Venha, venha mesmo. Mas só peço que me minta nunca ir, e quando fores, porque a vida é real, não anuncie.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Infinitamente Próximo
E tudo tornado real no instante. Fim claro e palpável. Capitado por lentes biológicas, analisado por processador pulsátil, o fim deve existir além da capacidade animal de perceber.
Tudo terá fim logo, tudo o que começou acabará brevemente, e nem nisso há alívio. A dor em presumir o inevitável, a vivacidade sensorial da fábula contra a realidade magra e vesga.
Em verdade, vos pergunto: Quem de vós já sentiu de verdade. Quem de vós alegrou-se sem pudor? Quem de vós chorou sem nenhuma alegria?
Quem?
Em verdade, e em verdade vos digo. Ninguém.
Quando tudo estiver dependendo do infinitamente próximo, quando tudo depender não mais de tempo, mais de sucessão, onde inevitalmenteinexoravelmenteindubitavelmente tudo depender do próximo acontecimento, depender da piedade do Maestro da Orquestra, perceberão que
FIM