terça-feira, 21 de setembro de 2010

Aventuras Paulistanas

Hoje visitei, pela terceira ou quarta vez na vida o bairro
japonês em São Paulo, chama-se Liberdade. Bairro pobremente decorado com postes
de vermelho sujo, lâmpadas em bolas de vidro, que não me interessa o
funcionamento. O bairro é caracterizado pelo comércio.


Ao sair da estação e escolher a direita, passamos por uma
ponte. Ponte da Liberdade devesse chamar. Pouco importa também o nome
verdadeiro. O importante é o comércio.


Mantendo-me a
direita, desci por várias quadras. Poucas na distância, poucas na variedade de
produtos e rica em número de lojas. Em determinado momento, voltei, dessa vez
pela ESQUERDA. E nesse momento, cala-se quem disser que o lado da vida não muda
o valor dado a ela, que a Esquerda e Direita são conceitos antigos.


A esquerda, passamos pela ponte atravessada pela primeira
vez pela direita. O mesmo rio, nessa ponte tristemente japonesa, passa por
debaixo. Nas amigas pontes “compatriotas”, o fluxo é mais lento, elas mesmas
são mais curtas, mais convexas e serenas. Esta é coberta por asfalto, o seu
“rio” é tosco, zoadento.


Mas nem isso é importante, em uma das “margens” dessa ponte,
a que agora me era óbvia pela opção da via que tomei, vi 3 homens trabalhando
num alto de uma barreira, transversal a Liberdade, com roupas sujas, pintando
um muro pichado. A cor da tinta é branca, a roupa é colorida pelas diversas
matizes dos antigos patrões, e do rio muito colorido e ágil de carro, 4 metros
abaixo dos seus pés, a distância é de menos de 20 cm, espaço para exercerem a
dignidade de existir.


Dos seus salários de mínimos a Liberdade não presume, dela
não tira o sustento e o ostento de comércio de gosto seriamente comprometido.
Vive de quem vive a direita, dos que descem do metrô, dos que, de costa para os
meus pintores, gasta dinheiro como brincar fosse viver. Dos que sobem a esquerda
só posso esperar compaixão e vergonha. Todas as lojas depois dos meus pintores
deviam falir e ser saqueadas por hordas de novos revolucionários, nascido do
desespero de saber que nada faz sentido. Mas não é assim. E nem a maldita tinta
branca descolore suas camisas sujas. O máximo de favor que espero da tinta é
cair no olhos, e derrubá-los num rio colorido

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