quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Do Futuro

Será que a dor pode ser transmitida no passado? Explico-me. Por ter conhecido alguém que sofrerá, o passado fica empapado de tristeza. Para os velhos não pode haver felicidade. Conheceram muita dor no passado-futuro do mundo. Estou egocentricamente posto em condição de vigia da tristeza do futuro.
Por obséquio, filtrem o futuro dos passados que possuo.
As incessantes reações químicas no vazio das sinapses nos convencem de poesia. De Beleza na Tristeza ou Conforto na Tragédia.
Será que é tudo isso em vão Renato?
Será que ainda esperas o Francisco, Beatriz?
Será que houve trem levando para longe Angenor?
Ou tudo acaba no precipício de poeira de sonhos?
Ou nada. Simplesmente nada. Mais nada que o suportável. Não o frio, nem o quente nem o morno. Nada. Por trilhões de vezes nada. Mais nada. E não cativarei o mundo com tristeza. Portanto, acaba aqui.

3 comentários:

  1. É tão grande essa incoerência, que teus passados não filtrados vão te ajudar a salvar novos futuros...
    Vigia da tristeza... Preservador da alegria...

    A sutil linha entre a dor e a poesia...

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  2. A sutil linha entre a dor e a poesia. [2]

    E como diria Zeca e como eu disse no Poemará, "Eu quero ser o Datena da raça, o poeta da dor, o cantor da desgraça do mundo".

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  3. "nem foi tempo perdido. somos tão jovens" - Renato

    "para sempre é sempre por um triz" - Chicão

    "abismo que cavaste com teus pés" - Angenor

    todos eles te explicam/replicam em si mesmos. e vice-versa

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