Hoje comprei, borracha, caderno e todos os impedimentos para escrever foram esquecidos. Herança das primeiras almas que não perdoaram a parede lisa dos carvões e tinturas.A eles não foi estabelecido regras gramaticais, já à mim, elas são espinhos num caminhos já bastante difícil.
Meu trabalho, expressar-me, é mais fácil, comparado com o dos primeiros. Tudo parece já estar estabelecido. A humanidade talvez não dure os milhões de anos que nos afastam do primórdio, e duvido que os arqueólogos do futuro comecem pelo meu caderno.
Portanto escrevo sem a responsabilidade do porvir. Escrevo apenas por existir, e como consequência, possuir o desejo humaníssimo de escrever, escrever e escrever.
Mas tudo necessita de um intuito, e vou dedicar minhas linhas ao dispositivo ausente na Criação. A borracha.
Fica claro que a borracha deixaria vexado qualquer grande escritor. Nem o mais instintivo e talentosos dos muitos que da palavra fizeram ofício, sentiriam-se confortáveis com as inconfidências deste dispositivo.
Meros parenteses. Se avaliada a criatividade, o conceito da novidade é rotineiramente associado, alguma coisa como ser fácil pensar o já pensado, quando a criatividade em meu caso particular, rebenta da coragem. Voltemos à borracha.
Penso, ao vê-las, que no cinza de suas arestas perdidas, há conhecimento. Se pudessem, ao serem passadas em papel pautado, ai apenas os pautados, reescrever o que foi desimpresso, o ato de escrever teria a responsabilidade alterada tornando as borrachas usadas tesouros da vergonha, talvez "segredo", como o financeiro ou telefônico. Fiel depositária dos meus erros de ação ou raciocínio, cá ficarás, e de ti nada será revelado, talvez o que, realmente, importe.
Vontade de interrogar tua borracha =)
ResponderExcluirLindo texto! Parabéns.
Vontade de interrogar tua borracha =) [2]
ResponderExcluirUma vez eu perguntei a uma amiga se um ET pedisse que ela mostrasse uma (apenas uma!) música da Terra pra ele, qual ela mostraria... Ela pensou, pensou, pensou e disse "Beatriz!". Tô falando isso aleatoriamente porque sei que tu gostas também e pra perguntar quem garante que futuros arqueólogos/críticos não investiguem nossa época justamente pelos nossos textos?!Quem garante que não escolham coisas tão aleatórias aos nossos olhos?! Será que Lucy (algum fóssil de hominídeo) era líder ou mais uma entre as demais?
Então que nossas palavras sejam aquilo que queremos representar de uma época. Nossas palavras não são somente nossas, são de todos. Sem borrachas, só rabiscos.