Tenho um sério problema com a minha vida pessoal e com a diferenciação da minha vida "profissional". Tento ser aplicado na Medicina ao ponto de sacrificar muita coisa, mas do que o saudável, diriam todos, se não a maioria. Escolhi ser o melhor médico que puder, o melhor que tiver competência. Sinto dores profundas , mas calo. Acho que assim que tem que ser. Acho que a medicina para a gente é um chamado e não uma profissão. Dito isso, vamos para o próximo ponto...
Estamos juntos quanto ao sentir, tenho muitos pacientes que não me abandonam. Choro constantemente pela miséria humana e acho que um dia isso vai me matar de tanta dor, como se fosse um óleo espesso que me se mistura comigo e deixa manchado, eternamente "gorduroso". Tinha com quem dividir minha angustias, muitas vezes chorei com ela ou "nela". A tristeza não é algo compartilhável, nem muitas vezes sentida junto, "quem me ver sorrindo pensa que sou alegre". Não que a medicina seja só tristeza, mas dá a ela um brilho fosco de seriedade que tem que haver. Muitos pacientes me dizem, sem o menor motivo para isso, "continue assim", mas eles não sabem o que faço. Muitas vezes converso com eles não mais que 10 minutos, mas acho que a alma da gente brilha. Quem sabe não são postos nas nossas vidas exatamente para um plano maior, "ciência pouca afasta de Deus, ciência muita aproxima". Não que seja possuidor de muita ciência, mas a acumulei muita coisa em que pensar nesse curto tempo. Estamos juntos, a vida não vai ser essa pra sempre, não seremos esses para sempre, mas viver essas etapas é fundamental. Minha única esperança é não embrutecer. Isso eu não vou me permitir, chorar sempre que precisar. Uma vez vi uma paciente de 35 anos a época com câncer que me pediu, Dr. quando chegar em casa, reza por mim... Nunca mais deixei de lembrar dela, assim que eu rezo, minha memória é meu templo... Já não posso mais escrever, o teclado começou a ficar todo misturado na minha vista...
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